sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Treze Dias Que Abalaram O Mundo

 



FILMAÇO!! Poderia escrever só isso e o post já estaria completo.

(Parece que essa semana só fiz assistir filmes, não é mesmo? haiahiahia! Vai estudar!)

Assisti por indicação de uma aula de história. Uau! Foi uma verdadeira aula de diplomacia, política externa e militarismo. 2 horas e meia de pura adrenalina. Muita negociação, tensão, idéias e, principalmente, humanidade.

Apesar de ser dirigido pelo neozelandês Roger Donaldson, é uma produção americana. A música é um filme a parte, conduzindo completamente nossas emoções. É de Trevor Jones, sulafricano e vale demais a pena prestar atenção nela especificamente.

Aqui não vale spoiler porque todo mundo sabe o final. É a história do famoso episódio de política internacional que ficou conhecido como "a crise dos mísseis em Cuba". Apesar de estar no período conhecido em Relações Internacionais como de "Coexistência Pacífica" da Guerra Fria, assistindo o filme se compreende que apenas não havia luta armada, mas de "pacífico" não tinha nada. Um acordo de cavalheiros em nível global.

O mais interessante no filme é ver a humanidade com que Donaldson conseguiu retratar os irmãos Kennedy, especialmente quando coloca o assistente da presidência Kenny (Kevin Costner) como personagem principal - um amigo de anos da família. Traz suas relações familiares e gostos particulares. Tudo isso faz lembrar que a política internacional é feita apenas de humanos como você e eu, que precisam pensar, ter idéias e vão cometer erros e acertos.

Assistindo este filme, eu só fazia pensar "como pude demorar tanto pra entender que é isso que quero fazer da vida?" :OOOO Gente...é isso que PRECISO fazer da minha vida. Não tem nada mais no mundo que eu queira (além de ser mãe, é claro). Agradeço às mudanças da vida que me conduziram até aqui.

Claro que não vou lidar com uma crise dessas (graças a Deus). Espero jamais ter o destino da humanidade nas mãos. Mas se eu puder melhorar a vida de alguém...que possa ver o sol nascer e agradecer, terei feito o que gostaria agora, aqui sentada na minha cadeira.

Assistam!

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

O Dilema das Redes




 O Dilema das Redes, de Jeff Orlowski, é um documentário que trata de eventos bastante recentes, como a virada política através das fake news e comportamentos sociais diante da pandemia. Comportamentos de risco, revoluções, movimentos sociais e ditaduras que se apoiaram nas redes sociais para ganhar adeptos, espalhar-se ou virar o jogo de maneira manipulativa. Ele mostra muitos executivos das principais mídias sociais, criadores, engenheiros, bem como pesquisadores de universidades de ponta dos EUA que analisam o fenômeno da mudança do mundo através dos algoritmos de vendas. Uma crítica necessária ao nosso novo mundo, completamente imerso nas redes e tecnologias 24h por dia.

É um novo modo de funcionamento do mundo, afetando, necessariamente, também as relações internacionais, à medida em que influencia a política e as relações de poder interestados, inclusive os conceitos de democracia, as teorias da conspiração, a influência ou desimportância de agências transnacionais - fenômenos que nós, internacionalistas, certamente temos que estar conscientes de como funcionam e até onde tem alcançado, de maneira consistente e eloquente, não inocente e espontânea.

Princípios da Educação Online

PIMENTEL, Mariano; CARVALHO, Felipe da Silva Ponte. Princípios da Educação Online: para sua aula não ficar massiva nem maçante! SBC Horizontes, maio 2020. ISSN 2175-9235. Disponível em: <http://horizontes.sbc.org.br/index.php/2020/05/23/principios-educacao-online>. Acesso em: 18 de novembro de 2020.

Este artigo trata da diferença entre educação à distância e educação online. Foi escrito por especialistas que trabalham com Educação à Distância a anos e eles compreendem que o tipo de educação a que fomos lançados agora, por motivos de pandemia, não é Educação à Distância, não foi pensada para isso. É uma educação que está sendo feita pela internet, o que não é a mesma coisa. Eles criticam a própria educação à distância que, em sua maioria, até agora apenas trouxe a educação instrucionista-massiva, ou seja, que apenas expõe o aluno a conteúdos que ele deve absorver. E fazem reflexões críticas a respeito de tudo isso, sugerindo modelos para o uso das ferramentas digitais de modo interessante, seja para a educação à distância, seja para esse momento de panemia, seja para o "novo normal" que virá depois. É utilizar toda a tecnologia a nosso favor, deixando que os alunos sejam também criadores, autores, produtores de conteúdo. É colocar o professor num lugar de curador de conteúdo da área, além de facilitador de um processo integrado de aprendizagem em rede, onde ele não é figura central para a qual todos se dirigem, mas aquele que qualifica essas interações. É mostrar o conhecimento como uma caixa aberta, como algo sendo sempre construído e reconstruído, que é o que a ciência é, de fato. E trazer também outros níveis de conhecimentos e experiência para a sala de aula, para que seja possível "aprender fazendo".

Como aluna de um curso de educação à distância - me inscrevi numa graduação em Relações Internacionais, gente! - ler este artigo foi extremamente importante e interessante. Vi a Educação à Distância como algo revolucionário, exigente de muita disciplina e autodidatismo, mas não consegui ultrapassar o limiar do que me foi oferecido neste semestre - apenas assisti as aulas online e olhe lá se li o material de apoio. Entendi que ela era um ofertório de ensino-aprendizegem muito maior do que o que eu estava utilizando mas não consegui pensar como ultrapassar o mínimo que me é exigido. Lendo este artigo tive uma noção! Sobre como e onde procurar mais conteúdo; co-construí-lo com professores e colegas. Com certeza, com vocês aqui também! Percebi que criar este blog é um jeito de me forçar a escrever mais (fundamental nesta área, nas provas, no trabalho, etc); de aprender mais; fixar mais conteúdo; articular mais conhecimentos e partilhar tudo isso com quem quer que queira dialogar, ter acesso, absorver, ou o que for. Ou seja: ganho eu, ganham vocês, ganha o mundo! Vida longa ao meu bloguinho!



terça-feira, 17 de novembro de 2020

Esquina

 Tenho estudado bastante relações internacionais e os assuntos do concurso. Estou em diversos grupos de estudantes também. Percebo que o discurso é muito elitista e inacessível a quem realmente deveria fazer a política externa brasileira: o povo.

Me encontrei completamente na área. Não sei porque fui fazer outras coisas da minha vida. Hihaiahi. É muito aqui que quero ficar. Estou fazendo a graduação em relações internacionais (terceira!) e completamente apaixonada. Realmente...as tragédias só vêm para duas coisas: para te ensinar grandiosas lições ou te forçar a mudar de vida. No meu caso, foi para mudar de vida. E estou deliciosamente mudando. Me encontrei!

Quero trazer toda a minha bagagem de estudos acadêmicos, saúde mental, feminismo, arte, artivismo, composição, música, escrita, movimentos sociais - tudo isso tem que estar no meu fazer diplomático, na internacionalista que estou me formando.

Vou compartilhar aqui tudo que eu puder. Deixar acessível para todas o que vou descobrindo. 

Pelo pouco tempo disponível, tenho usado muito os recursos audiovisuais, apesar de ser uma louca apaixonada por livros. 

Vou deixando aqui minhas dicas e caminhos percorridos. Achem o que interessar pelos marcadores.


Bons estudos!


segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Layla M. [contém spoiler]


 

O filme Layla M. da diretora holandesa Mijke de Jong trata de um evento que tem acontecido na Europa: jovens muçulmanos desejam um retorno às suas origens e viajam ao Oriente Médio para viver de modo mais radical o islamismo. Com o enfraquecimento do Estado Islâmico na região após a morte de Osama Bin Laden, esses jovens desejam retornar a seus países europeus de origem e, conforme o filme, cada país tem tratado a questão de modo diferenciado. Como receber um cidadão que pode ter trabalhado em ações terroristas? Por um lado, ele tem direito a retornar a seu país. Por outro, não se sabe ao certo que participações ele pode ter tido ou que tipo de treinamentos relacionados ao terror. Uma difícil questão internacional se coloca. Foi muito importante assistir este filme para minha formação como internacionalista. Pude ver a visão de países nórdicos sobre as segundas e terceiras gerações de imigrantes, já nascidos ali; o tratamento que dão a extremistas (repulsa social e policiamento ostensivo) e também perceber o outro lado da questão - entender os sentimentos de pertencimento e retorno às origens desses jovens, eternamente vivendo neste entre-lugar, nem completamente europeus, nem completamente muçulmanos. Observei também como as questões de gênero mudam, não só conforme os indivíduos e sua formação, mas também de acordo com o contexto em que estão. Foi extremamente rico e interessante para minhas reflexões. Deixo aí a dica para vocês. ;)

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

2.0 O Processo de Independência do Brasil

 Comemora-se em 07 de setembro o Dia da Independência do Brasil. Há, em todo livro de história, a imagem desenhada pelo artista Pedro Américo (em 1844) de um D. Pedro I altivo e arrodeado de soldados, de espada erguida, heroicamente nos declarando livres do jugo português. Será que foi realmente assim a cena da nossa independência? Vejamos todo o cenário que a antecede.

Declarando guerra e vencendo diversos países europeus, o avanço do exército do francês Napoleão Bonaparte expulsa a família real portuguesa, que embarca para governar a partir de sua mais significativa colônia - o Brasil. Chegam com toda sua corte em 1808 e elevam a status de "Reino Unido" a então colônia.

Para ser possível esta administração bem como dar estrutura à toda corte, o rei Dom João VI inaugura uma série de instituições importantes no Brasil, como banco, faculdade, promotoria, etc - algumas das quais existem até os dias de hoje.

Após a vitória da Inglaterra sobre Napoleão, Portugal entra numa grave crise, de diversos aspectos: militar, pois o exército português era agora comandado por generais ingleses; econômico, devido à enorme dívida com a Inglaterra e político, já que seus principais líderes estavam além-mar. Houve, então, a chamada Revolta do Porto em 1815, aumentando a pressão para o retorno da família real.

em 1821 retorna D. João VI a Portugal, deixando seu filho Dom Pedro como Príncipe Regente no Brasil. Desde a independência dos Estados Unidos em 1776, começou um movimento por independência em toda a América. A elite brasileira passou, então, a pressionar D. Pedro para que este tornasse o então Vice Reinado um país independente da metrópole portuguesa.

Para isso , uniu-se a elite em dois grupos de interesse: o dos portugueses, que desejavam que o Brasil voltasse a ser colônia de Portugal e o dos brasileiros, que queriam a independência por eles guiada, sem guerra militar tampouco participação popular. Tendo José Bonifácio como um dos conselheiros do Príncipe, resguardando os interesses da nova elite brasileira, assim se deu, de fato, nossa independência, sem glórias ou sangue

Em janeiro de 1822, D. Pedro foi convocado por seu pai à retornar a Portugal, ao que se opôs, ficando o dia 09 conhecido como " Dia do Fico". Em maio promulgou a lei do "Cumpra-se", em que nenhuma ordem de Portugal teria validade sem a assinatura dele. Em junho recebeu tropas portuguesas que vinham busca-lo e as declarou inimigas, caso não jurassem lealdade a ele. Por fim, em 07 de setembro daquele ano, declarou o Brasil país independente de Portugal, sendo coroado rei em dezembro.

Como vemos, não só nossa independência foi negociada, como também não teve participação popular (a não ser em embates locais, como o 02 de julho, na Bahia, e a Guerra Farroupilha, no Rio Grande do Sul). Na verdade, houve mais continuidade do que ruptura nesse processo e, em verdade, fora do Rio de Janeiro, a maior parte do país nem soube do ocorrido.

Portugal condicionou, ainda, o reconhecimento da nossa independência ao pagamento de uma pequena fortuna pelo governo do Brasil, a título de "ressarcimento" pela perda da sua mais preciosa colônia. Com empréstimo da Inglaterra assim fizemos, em 1825, começando então nossa história de país dependente e subdesenvolvido com enorme dívida.