Comemora-se em 07 de setembro o Dia da Independência do Brasil. Há, em todo livro de história, a imagem desenhada pelo artista Pedro Américo (em 1844) de um D. Pedro I altivo e arrodeado de soldados, de espada erguida, heroicamente nos declarando livres do jugo português. Será que foi realmente assim a cena da nossa independência? Vejamos todo o cenário que a antecede.
Declarando guerra e vencendo diversos países europeus, o avanço do exército do francês Napoleão Bonaparte expulsa a família real portuguesa, que embarca para governar a partir de sua mais significativa colônia - o Brasil. Chegam com toda sua corte em 1808 e elevam a status de "Reino Unido" a então colônia.
Para ser possível esta administração bem como dar estrutura à toda corte, o rei Dom João VI inaugura uma série de instituições importantes no Brasil, como banco, faculdade, promotoria, etc - algumas das quais existem até os dias de hoje.
Após a vitória da Inglaterra sobre Napoleão, Portugal entra numa grave crise, de diversos aspectos: militar, pois o exército português era agora comandado por generais ingleses; econômico, devido à enorme dívida com a Inglaterra e político, já que seus principais líderes estavam além-mar. Houve, então, a chamada Revolta do Porto em 1815, aumentando a pressão para o retorno da família real.
em 1821 retorna D. João VI a Portugal, deixando seu filho Dom Pedro como Príncipe Regente no Brasil. Desde a independência dos Estados Unidos em 1776, começou um movimento por independência em toda a América. A elite brasileira passou, então, a pressionar D. Pedro para que este tornasse o então Vice Reinado um país independente da metrópole portuguesa.
Para isso , uniu-se a elite em dois grupos de interesse: o dos portugueses, que desejavam que o Brasil voltasse a ser colônia de Portugal e o dos brasileiros, que queriam a independência por eles guiada, sem guerra militar tampouco participação popular. Tendo José Bonifácio como um dos conselheiros do Príncipe, resguardando os interesses da nova elite brasileira, assim se deu, de fato, nossa independência, sem glórias ou sangue
Em janeiro de 1822, D. Pedro foi convocado por seu pai à retornar a Portugal, ao que se opôs, ficando o dia 09 conhecido como " Dia do Fico". Em maio promulgou a lei do "Cumpra-se", em que nenhuma ordem de Portugal teria validade sem a assinatura dele. Em junho recebeu tropas portuguesas que vinham busca-lo e as declarou inimigas, caso não jurassem lealdade a ele. Por fim, em 07 de setembro daquele ano, declarou o Brasil país independente de Portugal, sendo coroado rei em dezembro.
Como vemos, não só nossa independência foi negociada, como também não teve participação popular (a não ser em embates locais, como o 02 de julho, na Bahia, e a Guerra Farroupilha, no Rio Grande do Sul). Na verdade, houve mais continuidade do que ruptura nesse processo e, em verdade, fora do Rio de Janeiro, a maior parte do país nem soube do ocorrido.
Portugal condicionou, ainda, o reconhecimento da nossa independência ao pagamento de uma pequena fortuna pelo governo do Brasil, a título de "ressarcimento" pela perda da sua mais preciosa colônia. Com empréstimo da Inglaterra assim fizemos, em 1825, começando então nossa história de país dependente e subdesenvolvido com enorme dívida.
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