segunda-feira, 3 de agosto de 2020

1.2. As Dimensões Econômicas e Sociais da América Portuguesa


Podemos começar definindo o que é a "América Portuguesa". Foi a extensão territorial nas Américas colonizada por Portugal. Tivemos colônias de Portugal, da Espanha, da Holanda, da Inglaterra e da França primordialmente nas Américas. Quando tratamos da América Portuguesa tratamos principalmente do território conhecido hoje como Brasil mas não só. Então isso faz parte da história do Brasil. 

Podemos dividir a colonização do atual Brasil em três períodos, segundo Boris Fausto:

1500-1530: período pré colonial
1530-XVIII: 
XVIII-1822: 

De 1500 a 1530, Portugal não se debruçou sobre o território americano. Havia a extração de pau brasil. Não houve fundação de vilas nem fazendas ou cidades. Apenas a construção de feitorias que eram espécies de depósitos para o pau brasil ser comercializado, estocado e exportado aos portugueses. Depois de 1530, devido a crises financeiras e invasores - especialmente franceses (?), que estavam começando a tomar conta da costa americana de Portugal - o país decidiu dar início ao que chamamos de empresa colonial.  Dividiu o território em Capitanias Hereditárias e através de cartas de doação entregou cada faixa de terra aos nobres que se candidataram. Dessa forma, o território foi privatizado em termos administrativos. As Capitanias Hereditárias não deram certo, em sua maioria, porque os nobres faliram. A partir de 1549 Portugal encaminhou para o Brasil governadores gerais. Nesse momento, temos três instâncias administrativas acontecendo ao mesmo tempo. Elas não se sucederam uma após a outra mas aconteceram em concomitância: as Capitanias Hereditárias, os Governos Gerais e as Câmaras Municipais. Os governadores gerais unificaram a administração da colônia e, a partir de 1640, o Brasil começa a ser chamado então de Vice Reinado. De 1580 (?) a 1640  Espanha governou Portugal e Espanha - foi o período da Conjunção Ibérica. Assim que houve a separação novamente e a família de Bragança tomou de volta o governo de Portugal, o governo português entrou numa grave crise financeira e foi colocada toda uma expectativa em cima do açúcar brasileiro. Foi a economia que vingou: os engenhos de açúcar. 

Essa sociedade era dividida em uma pirâmide que só tinha dois postos: o homem branco, dono de engenho, em cima, e homens livres e escravos embaixo. Sim, havia homens livres, porém eles não eram suficientes, segundo alguns historiadores [quem?] para formar uma camada social. Eles estavam quase que no mesmo nível dos escravos. Se pudéssemos fazer uma maquete [?!] do engenho de açúcar, teríamos: a casa grande, onde morava o senhor e sua família; a senzala, onde dormiam os escravos,  a igreja e o engenho propriamente dito, onde havia a fabricação do açúcar, a feitura do açúcar. O açúcar era uma especiaria muito preciosa, muito admirada na Europa e servia não só para adocicar alimentos e fazer receitas doces mas também para conservar os alimentos. Nesse momento Portugal tinha uma sociedade muito grande com os holandeses. Depois do rompimento da Conjunção Ibérica (?) em 1640, Portugal decidiu romper com os holandeses e expulsá-los do Brasil. Eles foram então para as ilhas das Antilhas e plantaram lá um açúcar melhor e mais barato. Isto porque Portugal estava numa expectativa de sair da crise a partir do açúcar brasileiro e não quis dividir com os holandeses porém a concorrência ficou muito difícil e o açúcar começou a cair. Nesse momento, os bandeirantes, que foram homens livres que começaram a entrar no interior do Brasil, descobriram ouro nas serras das Minas Gerais. 

O ouro do Brasil, ao contrário do ouro da América Espanhola, era muito superficial - ele não precisava de grandes escavações. Ele estava à beira dos rios. Então houve a corrida de muitas pessoas procurando a fortuna. Isso abriu a interiorização e urbanização do Brasil. Ao contrário da economia canavieira no Nordeste, em que as cidades só se agitavam durante os períodos de safra ou de festas religiosas, a sociedade do interior mineiro era uma sociedade que não parava. Então ela foi muito mais urbana e muito mais agitada. 

Nesse momento, a Europa ainda estava sob a égide do Mercantilismo enquanto sistema de acumulação de capital. Desta forma,  acumulação de capital nesse momento era conduzida pelo metalismo - quanto mais metais preciosos o país tivesse, mais rico ele seria. A associação de Portugal nesse momento era com a Inglaterra e foi ela quem levou muito do nosso ouro em trocas e compras de produtos mais industrializados e manufaturados. O ouro ajudou bastante Portugal a sair da crise mas não a solucionou. Começam a existir movimentos no Brasil de independência de Portugal: como a Conjuração Mineira, em 1789 e a Conjuração Baiana ou dos Alfaiates (1879?) e esses movimentos assustaram a metrópole. Fizeram com que começasse a haver um burburinho em Portugal com a possibilidade da família Real administrar os dois países a partir do Brasil. Isso acabou acontecendo no ano de 1808 mas não por decisão da coroa portuguesa e sim por fatores externos. A sociedade então já mais urbanizada e interiorizada desse Brasil do séc. XVIII era uma sociedade um pouco mais extratificada, em que os homens livres conseguiram fazer algum dinheiro devido ao encontro de ouro e também a valorização dos comerciantes (?) nas estradas e nas cidades. Porém a economia brasileira ainda era toda voltada para a metrópole, na produção de produtos primários - não era permitida a manufaturação de produtos nem a competição de produtos do Brasil com a Metrópole - toda a produção era para a metrópole - a compra era exclusivista e os tributos também não eram revertidos em nada para o próprio Brasil (?) e sim para manter o superávit da balança econômica portuguesa.




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