quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Discurso de Posse

Bom dia.

Primeiramente eu gostaria de agradecer a Deus, à espiritualidade, aos anjos, arcanjos, deuses e deusas, antepassados, santos e querubins. No que acreditarem eu quero agradecer. Porque não importa o nome...me ajudou a ter fé.

Segundo a meus filhos. Meus anjos. Meus amuletos. Minha força motriz para viver.

Especialmente depois da tragédia que se abateu sobre nós em 2019. O (imbecil do) meu marido nos deixou de repente, apenas nos informando que havia "cansado", às vésperas do seu aniversário. Eu, grávida. O outro bebê com 1 ano e 9 meses. E foi embora. E nós ficamos aqui, com os valores ridículos de pensão que a lei o obriga a dar e, graças a Deus, se não der, é o único motivo que realmente faz um indivíduo permanecer na cadeia hoje no Brasil.

Enfim...motivos muito elevados me fizeram tomar a decisão de estudar seriamente e estar aqui hoje.

Adianta dizer que escrevo cartas para o Instituto Rio Branco desde que tinha 14 anos (e ainda se escreviam cartas)? Que namorei esse concurso e essa carreira durante toda a minha vida? Me esbarrei em pérolas do auto conhecimento..."quero botar piercings" (houve um tempo em que não se podia ser diplomata usando piercings!); "não vou aguentar viver de terninho" (houve um tempo em que certa roupa era obrigatória a mulheres); "quero ter família" (houve um tempo em que o machismo atrapalhava bastante a carreira de uma mulher diplomata - ops, esse tempo ainda não passou, desculpem, ano errado); "com 28 anos ainda não vou ter feito tudo que quero da minha vida" (houve um tempo em que havia limite de idade para entrar". E assim fui indo, navegando, vivendo outros desejos, amadurecendo, me aborrecendo com governos e desgovernos brasileiros.

Ora. Chegamos aqui. 39 anos. Dois filhos. Família construída e separada. Uma vontade enorme de usar salto e jogar as saias hippies fora. Um salário atrativo. Uma indignação inenarrável com os rumos da política externa brasileira (a interna...nem vou comentar). Uma vontade de fazer algo mais efetivo pelo país do que lutar nas ruas junto com o sindicato, do que ocupar cadeira no Conselho Universitário, do que ser servidora de uma universidade federal (já me orgulhando tanto e me entristecendo tanto).

Esta sou eu. Mãe de dois meninos lindos. Largada pelo marido (expressão interiorana e tão verdadeiramente descritora da minha vida). Quase loba quarentona. Nordestina. Branca muito consciente de seus privilégios. Feminista, especialmente atenta e respeitosamente reverente ao que chamam hoje de feminismo negro. Iniciante nos estudos ao temido CACD.

Medo? Não sei o que é isso.  Apenas mais uma chance que estou dando à vida. Às mudanças. Ao destino. Se este for o meu destino, estou pronta para começar. Se não for, sei que vou aprender e conhecer muitas coisas e pessoas que vão me levar ao destino que deve ser. Estou aqui hoje me colocando à disposição. Do povo brasileiro (amo ser servidora do público!), da minha família, da vontade divina.

Colegas maravilhosos, respeitosos guris...cá está velhinha coroinha tia mamãe entrando junto com vocês.

Que seja leve!
Vamos rir!
E estudar bastante.

Com Amor,

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